Gestão de aplicativos móveis

Em minha postagem anterior aqui no blog abordei de forma suscinta um conjunto de funcionalidades de gestão de dispositivos móveis importantes para as organizações que o Gartner, em pesquisa publicada recentemente, considera essenciais nas plataformas de MDM (Mobile Device Management).

A primeira das cinco áreas citadas no texto é distribuição de software. No uso do dispositivo móvel como ferramenta de trabalho, o usuário necessariamente trabalha através do uso de aplicativos. Por outro lado são aplicativos (internet, jogos, redes sociais, etc) os grandes vilões da produtividade do funcionário equipado com um dispositivo móvel.

Assim, a correta e eficiente distribuição e gestão destes aplicativos é essencial para o sucesso da adoção da mobilidade nas organizações. Meu objetivo então é analisar mais profundamente a capacidade de gestão de aplicativos dos Sistemas Operacionais (SOs) móveis suportados pelo M3-MDM, entre eles Android, iOS, Windows Mobile e Windows Phone, com base na experiência da equipe da Mobiltec no desenvolvimento do produto.

Gerência de aplicativos no Windows Mobile

Pouco expressivo como sistema operacional nos Smartphones modernos, o Windows Mobile (WM) ainda é muito relevante no cenário corporativo. A base instalada de dispositivos rodando WM é grande e executa principalmente aplicações operacionais. Neste contexto podemos citar equipes de vendas, entrega e inspeção, entre outros.

O WM faz parte de uma geração de SOs móveis em que ainda se tem muito poder sobre a plataforma, sendo possível interagir com bibliotecas de baixo nível e drivers de hardware, por exemplo. Embora de implementação mais complexa, essa característica nos permite realizar controles sofisticados de gerência de aplicativos.

Distribuiçāo e gerência de aplicativos e atualizações

Aplicativos e atualizações no WM são tipicamente módulos EXE, DLLs e artefatos, que podem ser empacotados em arquivos CAB, por exemplo. Não há estrutura própria de distribuição no WM. É necessário construir software próprio para a distribuição dos pacotes e correta gerência do processo de instalação, que incorpore:

  • Transmissão de pacote ao dispositivo. É importante ser realizado remotamente (over-the-air) e ser assistido por tecnologia Push.
  • Plataforma administrativa, onde é possível cadastrar e gerar pacotes, controlar a sua distribuição e gerir o inventário de software dos dispositivos.

Instalaçāo e remoção de aplicativos

Uma vez presente no dispositivo, instalação e desinstalação destes pacotes são procedimentos simples, realizados pelo uso de funções próprias do SO. Algumas considerações são importantes:

  • Não é possível desinstalar aplicativos distribuidos na imagem original dos dispositivos
  • A desinstalação de aplicativos que não foram instalados pelo procedimento convencional (i.e. instalação de pacote CAB) necessitam de procedimento específico de desinstalação
  • Nas últimas versões do WM é necessário manipular permissões nos processos de instalação e desinstalação de aplicativos.

Monitoramento e bloqueio de aplicativos

Como o WM é forte no operacional das organizações, é grande a demanda por soluções de MDM que contemplem recursos de controle, com objetivo de maximização da produtividade das equipes.

Neste aspecto, o WM apresenta um bom conjunto de possibilidades para controle e monitoramento das aplicações nos dispositivos móveis:

Monitoramento de processos

O primeiro estágio do controle é o monitoramento. O funcionário sabe que está sendo monitorado em suas atividades e pode sofrer punições legais pelo mau uso do dispositivo na realização de suas atividades.

Uma forma de monitorar os aplicativos acessados pelo usuário é através do monitoramento dos processos em execução no dispositivo. No WM recupera-se facilmente a lista de processos em execução. Através da construção de uma boa ferramenta de análise, é possível identificar os padrões de uso deste dispositivo.

Blacklist de aplicativos

É possível classificar módulos de programas (EXEs, DLLs, …) em uma blacklist no dispositivo, assim bloqueando o direito de execução por parte do usuário. É importante observar que este conceito é mais fraco que de uma whitelist, pois programas novos ou desconhecidos, que podem acarretar mau uso do dispositivo, precisam ser catalogados e explicitamente bloqueados.

Agente de bloqueio

Quando se deseja um controle mais rígido sobre o dispositivo, o conceito ideal é o da whitelist de aplicativos, onde só um conjunto previamente determinado de aplicativos podem ser executados. O WM não oferece recurso nativo para este propósito. Por isso, as soluções hoje oferecidas no mercado são sistemas denominados quiosque: Um agente de bloqueio sobrepõe-se ao sistema operacional e oferece acesso limitado aos recursos do sistema. Um exemplo é o M3CLauncher, da Mobiltec.

Conclusões

Como é possível ver, são muitos detalhes envolvidos no desenvolvimento de uma plataforma de MDM que faça uma completa gestão de aplicativos móveis e que seja adequada para diversos cenários de negócio.

Como o Windows Mobile não oferece nativamente conceitos importantes, algumas das funcionalidades possuem alto custo e complexidade de desenvolvimento. Por outro lado, a flexibilidade do Windows Mobile nos permite chegar a implementação destas funcionalidades. Algumas impossíveis em SOs mais modernos, como o Android, iOS e Windows Phone, que tiram do desenvolvedor de aplicativos um maior controle sobre a plataforma.

De qualquer forma, a mudança de paradigmas dos SOs móveis mais modernos, que já consolidaram um novo padrão, modificam drasticamente os processos da gestão de aplicativos. Trarei minhas considerações sobre esta outra abordagem no meu próximo post, onde pretendo tratar a gestão de aplicativos móveis em dispositivos Android, iOS e Windows Phone.

Escrito por Eduardo Klein

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