Trocar de MDM é uma decisão estratégica — e um projeto técnico que exige planejamento cuidadoso. Feita da forma errada, a migração pode resultar em dispositivos indisponíveis, perda de configurações, colaboradores sem acesso aos aplicativos de trabalho e um retrabalho que consome semanas da equipe de TI.
Neste artigo, vamos explorar os 5 erros mais comuns que empresas cometem ao trocar de MDM — e, mais importante, como evitar cada um deles.
Por que as empresas trocam de MDM?
Os motivos são variados: custo em dólar de soluções internacionais que aumenta a cada ano, falta de suporte em português, funcionalidades que não atendem às necessidades específicas da operação brasileira, ou simplesmente a necessidade de uma solução mais moderna e completa.
Seja qual for o motivo, a decisão de migrar exige que o projeto seja conduzido com método — para que a transição não cause mais problemas do que resolva.
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Os 5 erros mais comuns ao trocar de MDM
Erro 1: Não inventariar o parque atual antes de migrar
O primeiro erro é começar a migração sem um inventário completo e atualizado do parque de dispositivos. Quantos dispositivos existem? Quais modelos? Quais versões de Android? Quais grupos de perfis estão configurados? Quais apps estão instalados em cada perfil?
Sem essa documentação prévia, a equipe de TI descobre durante a migração que existem dispositivos esquecidos, configurações não documentadas e perfis criados ad hoc que ninguém sabe para que servem. O resultado é retrabalho e inconsistências no novo ambiente.
Como evitar: antes de iniciar qualquer processo de migração, exporte todos os relatórios disponíveis no MDM atual e construa um inventário completo. Documente grupos, políticas, apps e configurações específicas de cada perfil.
Erro 2: Migrar todos os dispositivos de uma vez
A tentação de acelerar a migração migrando todo o parque de uma vez é um dos erros mais arriscados. Se algo der errado — uma incompatibilidade não prevista, um app que não funciona como esperado na nova plataforma — a empresa fica com centenas de dispositivos comprometidos simultaneamente.
Como evitar: implante a nova solução em fases. Comece com um grupo piloto de 5 a 10 dispositivos — preferencialmente de perfis diferentes — valide o funcionamento completo e só então avance para o restante do parque. A migração faseada permite identificar e corrigir problemas antes que afetem toda a operação.
Erro 3: Não testar todos os aplicativos de negócio na nova plataforma ao trocar de MDM
Cada MDM implementa o Android Enterprise de forma ligeiramente diferente. Um app de negócio que funcionava perfeitamente no MDM anterior pode ter comportamento inesperado na nova plataforma — especialmente se usar configurações gerenciadas, VPN integrada ou funcionalidades específicas de hardware.
Como evitar: inclua no plano piloto um teste exaustivo de todos os aplicativos críticos de negócio. Valide instalação, configuração gerenciada, permissões, integração com sistemas internos e funcionamento offline. Só avance para o restante do parque após confirmar que todos os apps estão funcionando corretamente.
Erro 4: Ignorar o processo de desregistro do MDM anterior
Muitas empresas focam tanto em registrar os dispositivos no novo MDM que esquecem de desregistrá-los corretamente do anterior. Isso pode resultar em dispositivos gerenciados por duas plataformas simultaneamente — com políticas conflitantes, comportamentos imprevisíveis e dificuldade de diagnóstico.
Como evitar: defina um processo claro de desregistro para cada dispositivo migrado. Em muitos casos, é necessário realizar um factory reset (formatação de fábrica) para garantir que o dispositivo comece o registro no novo MDM completamente limpo, sem resquícios do anterior.
Erro 5: Não treinar a equipe de TI na nova solução antes do go-live ao trocar de MDM
A nova solução de MDM tem uma interface diferente, uma nomenclatura diferente e, provavelmente, uma forma diferente de organizar grupos, políticas e apps. Se a equipe de TI não estiver familiarizada com a nova plataforma antes do go-live, qualquer incidente durante a migração será agravado pela curva de aprendizado.
Como evitar: garanta que pelo menos os principais operadores da console tenham treinamento na nova solução antes do início da migração. Isso inclui não apenas o uso básico, mas a configuração avançada de políticas, automações e procedimentos de suporte remoto.
Checklist para uma migração de MDM bem-sucedida
- Inventariar: documentar todos os dispositivos, perfis, políticas e apps do ambiente atual
- Planejar fases: definir grupo piloto e cronograma de migração por grupos
- Testar apps críticos: validar todos os aplicativos de negócio no novo MDM antes do go-live
- Definir processo de desregistro: garantir que os dispositivos sejam corretamente desregistrados do MDM anterior
- Treinar a equipe: capacitar os operadores da console antes do início da migração
- Documentar o novo ambiente: registrar todas as configurações, grupos e políticas criados na nova plataforma
- Validar comunicação com colaboradores: informar a equipe de campo sobre o processo e o que esperar durante a transição
Conclusão: Planejamento é o que separa uma migração bem-sucedida de um pesadelo operacional
Trocar de MDM é um projeto que vale a pena quando a nova solução entrega mais do que a anterior. Mas o resultado depende diretamente da qualidade do planejamento.
As empresas que mais sofrem na migração são as que subestimam o projeto — tratando a troca de MDM como uma tarefa simples de instalação de software. As que têm sucesso são as que dedicam tempo ao inventário, ao piloto, aos testes e ao treinamento antes de migrar o parque completo.



